Letras
O NOME DAS COISAS
A
não me rotule não
não me rotule não
não me demarca
D A
não me carimbe não
E A
eu sou o que se é
G A
eu to “ oncotô”
G A
é só questão de fé
D A
não me dê nome por favor
G A
não denomine não
G A
não me domine não
D A
não me dê nome não
A7M Bm
nem todas a coisas tem nome
A7M
tem coisas que chamamos de coisa
Bm
até mesmo as coisas que tem
F#-
as vezes chamamos de trem
A Gente Não USA
Eu não agüento essa gente que invade a minha casa e tira tudo do lugar
E se intromete, muda de estação, tirando a música que eu gosto de escutar
Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor
E dizer ao Tio Sam que não queremos mais seu rock and rolll
E dizer não
A gente não USA
Dizer não
A gente não USA
No meu barraco tem sanduba, tubaina, tem torresmo, tem cachaça
Não quero dollar, coca cola, jack Daniels, Mc Trouxa nem de graça
Oh Pátria amada, idolatrada salve, salve os teus filhos desse jugo
Lembra que somos a mistura de tudo que há de bom no mundo
E diga não
A gente não USA
Diga não
A gente não USA
Desde que aqui chegaram só me abusaram, me enganaram, me condenaram, não me pagaram e até cobraram
Coisas que eu não deve, não reconheço, eu to sem emprego, veja meu nego te enganaram
Por isso agora bora bora de sacola, mala e cuia procurar o nosso norte
Veja o que disse o tal Caminha: Nesta terra tem de tudo e o povo é forte
A batucada ta no pé, ta na cabeça, ta no morro, ta na praia
Diga não
Agente nau USA
Diga não
A gente não USA
Mostra o que é nosso. Ergue essa bandeira! O resto é tudo “paia”
Cidade
Cidade, cidade
Cidade, shopping, carro, camelô, supermercado.
Semáforo, sirene, caminhão, buzun, trocado.
Meganha, camburão, cambista, puta, flanelinha.
Self-service, ladrão, essa parada não é minha.
Um novo filme chegou!
Fala do tráfico, do crime organizado e do político safado.
Deus!
Eu fui viver na ficção!
Cidade, cidade
Maldade é o que fizeram com a cidade.
Parece que sou livre mas eu vivo atrás de grades.
Porteiro! segurança! Alguém segura a minha mão!
Alarme bip tem um cara me vendendo um trezoitão.
Deu no Jornal Nacional!
Fisiologismo, populismo, consumismo e mais um tanto de outros ismos.
Deus!
Será que voltei no tempo
Experimente
Tem gente que acredita
Que a gente acredita
Em tudo que acredita essa gente
Que tudo se resolve na porrada
No grito e com a cara mais lavada
Acha que está sendo convincente inteligente.
O Brasil da gente é diferente
A gente sente
Às vezes nunca é sempre
Do sempre a gente enjoa
Não dá pra engolir qualquer pessoa
Que acha que nasceu com o cu pra lua,
Bonito mas vazio e sem cultura
Não enxerga um palmo a frente do nariz
Como se diz
O Brasil da gente é diferente
Feito de gente
A hora de ir embora
Bom senso é que controla
Demora mas tem hora
Suspeito até que pode ser agora
Contigo, com gente que eu gosto.
Jogar conversa fora com os amigos
Sem compromisso
O Brasil da gente é diferente
experimente
Feito de gente
Gente que sente
experimente
Cante com a gente…
AS BARBAS DO MEU CAVALO
Ando sossegado embora
Você não me dê sossego
Olho pro relógio e vejo
Que ainda é muito cedo
Pra tirar as barbas de molho
Ou meu cavalo da chuva
Se a vaca for pro brejo amigo
Nossa vida continua
Ontem eu li os jornais
E no mês passado também
As notícias eram iguais
Não se sabe quem é quem
O fato é que você me enrola
E eu finjo que me engana
Mas nessa vida insana
Minha cabeça me consola
Quem é quem iguais não “se”
Se achuva for pro brejo
Consola a cabeça em “mi”
Cedo embora o relógio
As notícias do meu olho
A vaca não me dá sossego
De fato continuam de molho
As barbas do meu cavalo.
Yo no creo em Bush
Yo no creo em Bush pero que los hay los hay
Yo no creo em Bush pero que los hay los hay
Eu creio em meu coração que sempre me diz que tenho razão
Eu creio em nossa nação que por ter razão crê no coração
Ai, ai meus amigos que ainda se vestem como um out-door
Ai, ai meus amigos que ainda se vestem como um out-door
Não, não ta bonito não na verdade tadidadó
Não, não ta bonito não na verdade tadidadó
Não Abusa da Sorte
Você quer sair de casa.
Você quer mudar de telefone.
Você quer limpar a cara.
Você quer mudar até de nome.
Você quer mudar de vida.
Você quer mudar de emprego.
Você quer perder a barriga.
Você quer pintar o cabelo.
Mas não abuse da sorte.
Ela existe mas não é tão forte
Não abuse da sorte.
Se ela existe não é tão forte
Você quer mudar o dia.
Você queria ter um clone.
Você quer mudar de família
Você quer botar silicone
Você quer tirar a gravata
Você quer trocar o sapato
Você quer seu leite sem nata.
Você quer morar no mato
Cuidado com a mamãe. Cuidado com o papai…
Oncotô
Oncotô? Oncotô? Oncotô?
Poncovô? Poncovô?
Essonipassavassi?
Masonótamoinussô?
Socêfolámifála
Pamódimarrumá
Tokicontanuscóbri
Resapadapaí
Essonipassavassi?
Masonótamoinussô?
Popassapalá
Popassapacá
Redupepalá
Chepoquimpacá
Oncotô? Oncotô? Oncotô?
Poncovô? Poncovô?
O Vazio
O vazio está cheio de todos os nadas
O completo é repleto de vazias palavras
O que é útil é inútil pra quem desconfia
Que o que se põe na mesa é só alegoria
Os jornais, a TV , as revistas, o rádio…
Recortam, colam notícias pra que crê no que vê
Digerir sua fúria e apostar mais um dia
No conto da loteria e pagar seu carnê.
O côncavo é o convexo de quem está do outro lado
A tangente não tange quem está deste aqui
Na boca este amargo é tão doce pra outros
Que por mais absurdo acreditam em si
O vazio está cheio de todos os nadas
O vazio está cheio de todos os
O vazio está cheio de todos
O vazio está cheio de
O vazio está cheio
O vazio está
O vazio
O
Tenkoiskissókuum
Tenkoiskissókuum,
Tenkoiskissókuum,
Tenkoiskissókuum
Eu to cá quem lá ta que lá teja,
Eu to cá quem lá ta que lá teja,
Eu to cá quem lá ta que lá teja
O que? Quem? Onde?
O que? Quem? Onde?
O que? Quem? Onde?
Eu vou ficar,
Eu vou ficar,
Quem quiser que vá.
Eu já vou quem quiser que fique!
Eu Vou montar no 18.
Dekapokovô
Dekapokovô
Dekapokovô
Dekapokovô
Hoje eu vou por aqui.
Amanhã eu vou por ali
Só não quero a rotina de um olho me dizendo aonde ir
Eu só não quero a retina de um olho me mostrando aonde ir.
Plim plim.
Nações
Krenak Krenak, Timbiras.
Goytacases, Tchucarramães.
Krenak, Krenak, Timbiras.
Goytacases, Tchucarramães.
Bororos, Tupynambás, Guaranis.
Xavantes, Caetés, Carujós
Bororos,Tupynambás, Guaranis.
Xavantes, Caetés, Carijós.
Charruas, Avá Canoeiros.
Tapuias, Yanomamis.
Guaicurus, Aymorés, Guajajaras
Tamoios, Tupys, Caiapós.
O Candidato
Eu vou garantir meu ganha pão / prometerei coisas que não farei
Falar bonito encima de um palanque / usando roupas que eu nunca usei.
Fazer cara de sério gargalhando por dentro
Meu rosto estampado nos cartazes parecendo pop star.
As vezes te cumprimentar no centro da cidade
E na televisão você vai ter que me aturar.
Vou ser candidato
Pra ver se me encaixo
Em um novo decreto
Que me tire de quatro
Conto com seu voto para o meu prazer
Serei muito grato
Agora, atenção, vou ensinar como se vota para eu ganhar.
Digite o meu número e depois aperte a tecla confirmar
E leve um santinho você pode precisar
Se esquecer meu número você pode colar
E leve mais alguns para os amigos
Quem sabe algum não sabe ainda em quem vai votar.
Sabão, balão, pão
Aqui não se vende razão
Sabão balão pão
Todos sabem que a cidade não para
Não reparem se ela as vezes dispara
E repassa cada etapa no tapa
Até todos aprenderem a lição
Sabão balão pão
Aqui não se vende ilusão
Sabão balão pão
Todos sabem que a cidade tem pressa
E reparem como as vezes se stressa
E castiga de maneira discreta
Até todos decorarem o refrão
Sabão balão pão
Aqui não se vende cifrão
Sabão balão pão
Todos sabem que a cidade devora
O que não digere, bota pra fora
E rumina a migalha que sobra
Até todos engolirem o pirão
Sabão, balão, pão.